
Marques e o paradoxo
Como atleticano, reconheço que o momento para o que vou dizer talvez seja impróprio, inconveniente, chato. Jogarei água fria sobre a cabeça de muitos com o conteúdo daquilo que pretendo desenvolver neste texto.
Irei falar sobre Marques. E irei falar bem de Marques, farei elogios – reconhecidamente precipitados, pois ainda estamos na segunda rodada do Campeonato Mineiro – ao seu futebol. Direi que Marque é, hoje, disparado, o melhor jogador do Galo. E em seguida, de forma aparentemente insana, direi que tudo isso pode ser péssimo para o futuro do Atlético.
Neste momento alguns deixaram de ler meu texto, irritados com o tempo que lhes fiz perder, enquanto outros, por curiosidade – mas também irritados – seguem em frente. Há um terceiro grupo, mais esperto, que já entendeu aonde pretendo chegar. Este grupo também está irritado, pois enrolo muito ao invés de ir direto ao ponto.
Vamos lá:
Nas duas partidas oficiais realizadas pelo Atlético em 2008, o melhor jogador em campo foi Marques. Talvez seja possível questionar o postulado em relação à partida contra o Democrata de Sete Lagoas, mas o mesmo não pode ser dito a respeito do jogo contra o outro Democrata, de Governador Valadares, quando Marques foi inquestionavelmente o melhor em campo.
Enumerando: sofreu pênalti (desperdiçado por Marinho); contribuiu com um belíssimo “corta-luz” para que Renan fizesse o primeiro gol; cruzou na cabeça de Vanderlei para que este convertesse o gol da virada; lançou boas bolas pra área e realizou 90% das jogadas realmente perigosas do time, tendo inclusive cavado faltas que poderiam se transformar em gol, caso a equipe dispusesse de algum batedor razoável (que não é o caso, uma vez que até Vanderlei, centroavante que se notabiliza pela falta de categoria, se prontificou a realizar uma cobrança).
Marinho e Eder Luis, geralmente destaques do elenco, tiveram atuações apagadas. Danilinho, outro destaque contumaz, viveu bons momentos, mas nada que entusiasmasse. Quem brilhou foi Marques, apenas ele, o ídolo, a maior contratação do ano (não posso esconder que digo isso com certa melancolia). E assim o Galo, com bastante sofrimento, de virada, venceu a partida por 2x1.
E também assim que meu maior medo se materializou: o time está, como foi outrora, dependente de Marques – o que me assombra.
Aparentemente, Marques está muito bem fisicamente. Jogou as duas partidas inteiras (no primeiro jogo ele entrou logo no início) e correu até o fim, sofreu entradas duras dos adversários e não se contundiu. Mas um dia ele vai se contundir; acontece. Noutro dia, ele tomará o terceiro amarelo – e ficará de fora da próxima partida. Adiante, ele irá se aposentar.
Enquanto nada disso acontece, quero que Marques ajude muito o Galo, como sempre fez, mas não quero que ele seja a única peça realmente perigosa aos olhos dos adversários. Este erro já foi cometido nas duas passagens anteriores do atleta pelo clube: quando ele não jogava, a atuação do time oscilava entre o medíocre e o patético. É preciso mostrar que a lição foi aprendida.
O salário mensal de Geninho deve ultrapassar em muitas vezes a minha renda anual. Isso me faz acreditar que, obviamente, ele irá logo perceber este (ainda) agradável problema.
Aos que chegaram até aqui, eu agradeço:
Obrigado.